Ir para Porto Alegre em busca de tratamento especializado já é, por si só, uma provação. Para muitos bageenses — especialmente aqueles que nunca saíram da cidade, que têm medo do desconhecido ou que carregam o peso de uma doença —, enfrentar a capital sem estrutura e sem apoio tornava tudo ainda mais difícil.
Divaldo Lara conhecia essa realidade de perto. Anos antes de se tornar prefeito, seu irmão, o ex-deputado estadual Luís Augusto Lara, já mantinha uma casa de hospedagem em Porto Alegre com o mesmo espírito de acolhimento. Divaldo chegou a morar nessa casa, e ele mesmo buscava pessoalmente as pessoas que chegavam de ônibus na rodoviária, levando-as até o local. Aquelas experiências moldaram nele uma compreensão real e humana das dores de quem chega numa cidade grande, doente, com medo e longe de tudo que conhece.
Foi por isso que, ao assumir a prefeitura, uma das suas primeiras iniciativas foi alugar uma casa em Porto Alegre para receber pacientes e acompanhantes de Bagé durante o período de tratamento. Único prefeito do Rio Grande do Sul a manter uma casa de hospedagem neste formato, foi além: firmou convênio com municípios vizinhos para que também pudessem enviar seus pacientes ao local.
A casa não era apenas um lugar para dormir. Tinha atendimento humanizado, carro disponível para levar os pacientes às consultas e tratamentos, e um quarto reservado exclusivamente para os motoristas da saúde — garantindo descanso adequado entre a viagem de ida e volta a Bagé. Divaldo Lara a visitava periodicamente, de forma pessoal, mantendo o vínculo com quem estava longe de casa num momento tão delicado.
A iniciativa, no entanto, não ficou livre de turbulências. A oposição tentou apontar irregularidades que jamais existiram, num movimento que tinha menos de fiscalização e mais de pressão política — uma tentativa de fazer Divaldo recuar e abandonar o projeto. Não funcionou. A certeza da probidade dos seus atos o manteve firme no propósito, mesmo enquanto respondia ao processo. A denúncia não prosperou na Justiça, confirmando o que já era evidente: tudo estava correto, e a casa continuou de portas abertas para quem precisava.
Ao longo do Governo Divaldo Lara, mais de 5 mil pessoas foram acolhidas. E quando as enchentes de 2024 castigaram Porto Alegre, a casa se tornou suporte para equipes de socorro vindas de outras cidades — entre eles, bombeiros de Caxias do Sul que chegaram para ajudar os porto-alegrenses. A casa, que nasceu para cuidar dos bageenses, cuidou também de quem veio cuidar dos outros.